Mês de Sensibilização para o Cancro do Pulmão: as conversas que precisamos de ter

MÊS DE SENSIBILIZAÇÃO PARA O CANCRO DO PULMÃO 2026

A cada hora, mais de 25 pessoas na UE morrem de cancro do pulmão. É a principal causa de morte por cancro na Europa e, mesmo assim, baixamos a voz quando pronunciamos o seu nome.

É o tipo de cancro sobre o qual as pessoas não falam no trabalho. Aquele em que a primeira pergunta, antes mesmo de alguém perguntar como estás, é: «Fumavas?»

Esse silêncio está presente em várias conversas que precisamos de ter. A conversa pública, que o estigma continua a impedir. A conversa que temos connosco próprios antes de pegarmos no telefone. A conversa na sala de consultas do médico de família. E a conversa que os governos ainda precisam de ter sobre o rastreio.

Por que é que ainda é tão difícil falar sobre o cancro do pulmão?

As pessoas ainda pensam que o cancro do pulmão tem um tipo específico. Mas não tem. Qualquer pessoa com pulmões pode ter essa doença. Mas quando se espera ser julgado, é mais fácil não dizer nada.

Detetar mais cedo os sintomas do cancro do pulmão

A conversa seguinte é aquela que temos connosco próprios. Na nossa investigação, quase duas em cada três pessoas inquiridas adiaram a procura de aconselhamento médico após o aparecimento dos sintomas. Algumas não tinham a certeza se valia a pena incomodar alguém por causa de uma tosse. Eu era uma delas. Em 2016, adiei a consulta com o meu médico de família durante três meses porque achava que não tinha tempo para isso. Outras estavam preocupadas em ser julgadas.

Do outro lado da secretária também não é fácil. Os médicos de clínica geral atendem muitas pessoas com tosse ou falta de ar, e a maioria delas não tem cancro do pulmão. É difícil determinar quem precisa de exames complementares, muitas vezes com muito pouco tempo à disposição.

Rastreio do cancro do pulmão na Europa

O reconhecimento precoce dos sintomas é uma parte da solução. Detetar o cancro do pulmão antes do aparecimento dos sintomas, através do rastreio, é outra.

Em dezembro de 2022, a UE recomendou que os países analisassem se o rastreio do cancro do pulmão poderia ser eficaz para as pessoas em maior risco. Os progressos registados desde então têm sido desiguais. A Croácia já dispunha de um programa nacional e a Alemanha começou a oferecer o rastreio em abril deste ano. A Polónia lançou o seu programa nacional este mês, enquanto outros países se encontram em diferentes fases. Em grande parte da Europa, ainda não existe qualquer programa de rastreio.

Na Lung Cancer Europe, acreditamos que isso tem de mudar. O local onde se vive na Europa não deve determinar se o cancro do pulmão é detetado numa fase precoce.

Mês de Sensibilização para o Cancro do Pulmão: dar início à conversa

A consciencialização é o ponto de partida da mudança. Não pode ser o ponto onde esta termina.

Por isso, neste mês de novembro, vamos dar início a conversas onde elas são mais necessárias.

Na sala de consulta, o projeto «Get Checked! 2026» analisa os dois lados da consulta. Por um lado, está a pessoa que decide se vale a pena investigar um sintoma; por outro, está o profissional de saúde que procura perceber o que esse sintoma pode significar. Reunimos experiências reais de ambas as partes, a par da nossa própria investigação, porque cada um precisa de ouvir o outro.

Em público, a iniciativa «The Big Lung Cancer Conversation» é lançada em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, com um par de pulmões de 8 metros que é muito difícil ignorar. Gosto do facto de começar por aí. As pessoas que definem as prioridades da Europa em matéria de saúde também deviam ter de passar por ali. Depois, a iniciativa parte em digressão, para que as pessoas de toda a Europa possam parar e fazer as perguntas que talvez não fizessem em mais lado nenhum.

Isto não tem nada a ver com atribuir culpas. Nem à pessoa que esperou, nem ao médico que tentava dar sentido a sintomas vagos. Trata-se de facilitar a realização dessa conversa mais cedo.

O que estamos a pedir

Se tens uma tosse que não passa, ou se algo mudou e não te parece bem, vai ao médico. Não estás a fazer perder tempo a ninguém.

Aos médicos de família e enfermeiros que colocam as pessoas em primeiro lugar: muito obrigado. Quando alguém voltar pela segunda vez, por favor, continuem a ouvir.

Aos governos de toda a Europa: a recomendação solicitava-vos que estudassem a possibilidade de realizar rastreios. Pedimos-vos que vão mais além e comecem a criar programas destinados às pessoas em maior risco.

E aos nossos membros: obrigado por tudo o que estão a fazer este mês. Partilhem a campanha «Get Checked!», falem sobre o cancro do pulmão sempre que puderem e, se quiserem que a campanha «Lungs» visite a vossa comunidade, avisem-nos.

Em agosto, escrevi sobre os anos que não contamos. Este mês é sobre as conversas que não estamos a ter. Vamos começá-las agora.

E se vires um par de pulmões gigantes neste inverno, vem dizer olá.

Debra Montague
Presidente da Lung Cancer Europe

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