Viver com cancro do pulmão de pequenas células na Europa

Diagnóstico rápido, apoio fragmentado:

O cancro do pulmão de pequenas células (SCLC) representa cerca de 15 % dos cancros do pulmão. É um tipo de cancro que cresce rapidamente e, muitas vezes, se dissemina numa fase precoce, pelo que as pessoas precisam de respostas rápidas, informações claras e do apoio adequado desde o início.

Este novo relatório dá voz às pessoas que melhor conhecem esta realidade. Em março de 2026, a Lung Cancer Europe realizou um inquérito pan-europeu, traduzido para 14 línguas e distribuído por 20 países. O inquérito contou com o testemunho de 67 pessoas: pessoas que vivem com SCLC, cuidadores ativos e familiares enlutados. Um Conselho Consultivo sobre o SCLC, composto por pessoas que vivem com SCLC, cuidadores, enfermeiros especializados em oncologia e defensores da causa do cancro do pulmão, acrescentou então profundidade e contexto da vida real às conclusões.

O quadro que se desenha é o de um diagnóstico rápido, mas de um apoio fragmentado. Muitas pessoas receberam um diagnóstico rapidamente. No entanto, uma vez diagnosticadas, elas e as suas famílias depararam-se frequentemente com dificuldades em obter informação, participar nas decisões, aceder a ensaios clínicos e receber apoio no dia-a-dia, e constataram que a situação variava de um local para outro.

«Para superaro isolamento associado ao diagnóstico de SCLC, é necessária uma comunidade europeia forte e coesa, na qual os doentes, os cuidadores, os profissionais de saúde e os defensores dos direitos dos doentes partilhem juntos esse fardo. Este relatório da Lung Cancer Europe apresenta os dados comprovativos e traça um roteiro claro para concretizar essa transformação em benefício de todos os doentes diagnosticados com SCLC.»
— Dra. Misty Shields

É para nós uma honra que o relatório comece com um prefácio da Dra. Misty Shields, oncologista médica torácica e médica-cientista, que reflete sobre as realidades do diagnóstico de SCLC e o que será necessário para melhorar os resultados em toda a Europa.

Principais conclusões

  • 73,1% receberam um diagnóstico poucos dias ou semanas após o primeiro contacto médico, mas 82,1% consultaram pelo menos dois médicos ou especialistas antes do diagnóstico

  • 62,7% apresentavam doença em fase avançada no momento do diagnóstico

  • 60,6% afirmaram que as decisões relativas ao tratamento eram tomadas principalmente pelo médico, e 20,9% referiram não ter qualquer envolvimento

  • 17,9% tinham participado num estudo ou ensaio clínico

  • 47,8% não tinham recorrido a nenhuma das formas de apoio indicadas

  • 67,2% indicaram as pesquisas na Internet como uma das fontes de informação mais úteis e 23,9% indicaram ferramentas de IA ou assistentes de chat

  • 24,3% das pessoas que vivem com SCLC afirmaram que o estigma ou os equívocos tinham afetado a sua experiência

Recomendações

O relatório apresenta recomendações claras e práticas para profissionais de saúde, decisores políticos e entidades financiadoras, sistemas de saúde, indústria farmacêutica, prestadores de cuidados e associações de doentes. Em conjunto, apelam a:

  • apoio prestado desde o diagnóstico

  • informação honesta e acessível na própria língua das pessoas

  • conversas anteriores sobre ensaios clínicos

  • um acesso mais equitativo aos tratamentos em toda a Europa

  • reconhecimento aos cuidadores

  • o fim do estigma associado ao tabagismo.

Estamos profundamente gratos a todos aqueles que partilharam as suas experiências, tornando possível a elaboração deste relatório.