O que é que as medusas e os pirilampos têm a ver com a investigação sobre o cancro do pulmão?

Cientistas na Escócia desenvolveram um novo sistema de imagiologia que utiliza genes marcadores associados à fluorescência das medusas

Cientistas na Escócia desenvolveram um novo sistema de imagiologia que utiliza genes marcadores associados à fluorescência das medusas, à produção de luz dos pirilampos e à imagiologia por TEP para acompanhar os tumores desde o corpo inteiro até às células individuais.

O sistema foi desenvolvido por investigadores da Universidade de Glasgow e do Instituto da Cancer Research UK na Escócia e é descrito na revista *Nature Biotechnology*.

Os investigadores testaram-no em modelos de adenocarcinoma pulmonar e de cancro do fígado. Trata-se de uma ferramenta de investigação, não de um teste utilizado em pessoas com cancro.

De que forma as medusas e os pirilampos ajudam os investigadores do cancro?

O sistema combina três sinais de imagem diferentes nas mesmas células tumorais.

Um repórter produz fluorescência vermelha. As proteínas fluorescentes utilizadas na investigação moderna foram originalmente desenvolvidas a partir de proteínas encontradas em organismos como as medusas.

Outro repórter utiliza a luciferase, a enzima que permite aos pirilampos produzirem luz.

O terceiro repórter pode ser detetado através de imagiologia PET.

Cada método funciona numa escala diferente.

A PET e a bioluminescência podem ajudar os investigadores a localizar e acompanhar tumores no interior do corpo. A microscopia de fluorescência pode, por sua vez, mostrar o que se passa ao nível das células individuais.

O que é que o estudo sobre o cancro do pulmão analisou?

Os investigadores introduziram os três marcadores num modelo murino, de modo a que fosse possível acompanhar as células selecionadas ao longo do tempo.

Em seguida, utilizaram o sistema em modelos geneticamente modificados de adenocarcinoma pulmonar e de carcinoma hepatocelular.

A imagiologia de corpo inteiro ajudou os investigadores a detetar e monitorizar tumores. Assim, puderam examinar esses mesmos tumores com uma resolução muito superior e estudar células individuais e as interações no microambiente tumoral.

A Universidade de Glasgow inclui este trabalho no seu programa de investigação sobre o cancro do pulmão.

Por que razão se combinam vários tipos de exames de imagem oncológicos?

Os diferentes métodos de imagiologia respondem a questões diferentes.

Uma tomografia de corpo inteiro pode revelar a localização de um tumor e a forma como este evolui ao longo do tempo. No entanto, não consegue mostrar os detalhes das células individuais.

A microscopia permite observar essas células com muito mais pormenor, mas, normalmente, não consegue proporcionar a mesma visão global do corpo.

O novo sistema estabelece uma ligação entre estas diferentes escalas. Os investigadores podem acompanhar o desenvolvimento do tumor em todo o corpo e, em seguida, examinar áreas específicas com muito mais pormenor.

Os autores afirmam que isto poderá ajudar os investigadores a estudar o crescimento e a disseminação do tumor, a resposta ao tratamento e as interações entre as células cancerosas e as células imunitárias.

Será que este sistema de imagiologia poderia ser utilizado em pessoas com cancro do pulmão?

Não na sua forma atual.

Trata-se de uma plataforma de investigação pré-clínica concebida para modelos de ratos geneticamente modificados.

Não se trata de um novo exame, teste de diagnóstico ou tratamento para pessoas com cancro do pulmão.

O seu valor reside em ajudar os investigadores a estudar a biologia do cancro com maior pormenor e a estabelecer uma ligação entre o que observam nas imagens de todo o corpo e o que se passa no interior do tumor a nível celular.

O que poderão os investigadores estudar a seguir?

O sistema poderá ser utilizado para investigar como os tumores se desenvolvem, como as células cancerígenas se disseminam e como os tumores respondem ao tratamento.

Pode também ajudar os investigadores a estudar as alterações no microambiente tumoral, incluindo as interações entre as células cancerosas e as células imunitárias.

Os investigadores descrevem-na como uma plataforma que permite acompanhar processos biológicos, desde a imagiologia de todo o corpo até à resolução celular.

Pontos-chave

  • Os investigadores desenvolveram um novo sistema de imagiologia oncológica que combina fluorescência, bioluminescência e PET.

  • O sistema utiliza genes repórteres associados a proteínas fluorescentes e à luciferase do pirilampo.

  • Foi testado em modelos de adenocarcinoma pulmonar e de cancro do fígado.

  • Os investigadores conseguiram acompanhar os tumores, desde imagens de todo o corpo até às células individuais.

  • Trata-se de uma ferramenta de investigação utilizada em modelos pré-clínicos, não de um novo exame ou tratamento para pessoas com cancro do pulmão.

Fonte: Raffo-Iraolagoitia XL, Alyamani A, May S, et al. Imagiologia in vivo em múltiplas escalas da evolução tumoral utilizando um rato com três marcadores condicionais na linha germinativa. *Nature Biotechnology*. Publicado a 15 de julho de 2026.

Leia o artigo de acesso aberto publicado na revista *Nature Biotechnology*

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